15.3.16

Tenho buscado me apaixonar pelo que é humano, pelo que as mãos humanas tocam e deixam marcas, pelo que não sai de uma máquina e de um molde. É um processo difícil reconhecer o esforço, o sutil, o invisível aos olhos, o processo de criação, a arte de modelar o barro e de dentro dele, de dentro de mim, criar algo belo. Imperfeitamente belo. Aprender a amar o erro, levá-lo pra casa e ficar admirando. O humano e seu toque, seus cheiros, seus gostos, seu hálito, sua barriga, suas vísceras, sua intensidade, sua insensatez e a linha tênue que nos separa da loucura todos os dias. E o que é o louco senão alguém que se recusa a viver dentro dos moldes, com bula, rótulo, manual de instruções? O que é o louco senão alguém que não foi modelado, esculpido, entendido, amado? 
Nesse processo humano e louco tenho tentado aprender a me amar para não enlouquecer.
Eu também sou um erro, imperfeitamente belo.

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