30.5.14

Há um bicho feroz se contorcendo dentro do meu peito, urrando, murmurando sons inteligíveis, suplicando por alguma coisa louca, se debatendo no meu corpo enquanto eu permaneço aparentemente imóvel. Eu continuo digitando, dissimulando a sua presença aos que me rodeiam, enquanto por dentro meu corpo pula, meus orgãos se contorcem tentando achar espaço para essa criatura selvagem, uma mulher antiga, uma bruxa, escabelada e cheia de cicatrizes, que conhece meus desejos mais obscuros melhor que eu mesma. Converso com ela, tento acalmá-la durante todo o dia, toda a noite, digo que tem que ter paciência, ainda mais paciência, digo que não posso viver entre os outros seres humanos com ela tentando gritar através da minha garganta, não posso gritar agora, tenho que fingir. Não vivo no tempo das cavernas. Vai demorar um pouco mais para ela se divertir como gosta.

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