22.4.14

Tenho preguiça das pessoas que andam por aí apertando o passo sem curtir o vento no rosto, o ar da cidade desfalecendo no fim do dia. Preguiça das pessoas que caminham olhando para o chão ou com os olhos fixos no destino, sem aproveitar o caminho, sem olhar para os lados, nos olhos de outras possibilidades, outros destinos. Preguiça das pessoas que interrompem um momento com o falso pretexto de que precisam acordar cedo no dia seguinte. Só perdoo se o destino, o pretexto, for o amor.  Do contrário prefiro viver o instante, sentir o trepidar do sol caindo no horizonte e o pulsar da noite surgindo com a lua, uivar como os lobos, ir no ritmo do universo, eu esqueço o tempo, abro mão do que vem depois, me apaixono perdidamente a cada cinco minutos, a cada troca de olhares, como se fosse a primeira vez, como se fosse para sempre.

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