1.3.14

Cheguei, chegaste, vinhas fatigada e triste e triste e fatigado eu vinha, tinhas a alma de sonhos povoada e a alma de sonhos povoada eu tinha.

E paramos de súbito na estrada. Longos anos presa a minha a tua mão (imaginária) e a minha vista deslumbrada tive da luz que teu olhar continha (na minha imaginação). É tudo uma grande ilusão. Vejo palavras sendo desperdiçadas, energias, sentimentos indo pelo cano, e mesmo assim, é tudo uma ilusão. A ilusão é preferida. Eu, moderadamente, conscientemente, me iludo. Antigamente, deixava a imaginação voar, parecia que tudo era possível. Confesso que tenho saudade dessa pessoa que um dia eu fui, embora não trocasse meus cabelos brancos e conhecimento de hoje. Existe uma impossibilidade minha e outra da vida. Seria preciso despender um esforço muito grande e isso vai contra o meu conceito de amor. Para quê imaginar se só causa ansiedade e dor, logo em seguida. Logo em seguida, quando percebo que nunca será, eu choro. Não depende de mim, não depende de alguém, não será, apenas não será. E eu vejo tanta gente sofrida e cansada, que mesmo assim não se permite ser amada, não há argumentos racionais que quebrem esse fato, nem beijos que suprimam a ausência da outra pessoa idealizada. Todos que conheço tem alguém idealizado e isso, de cara, já termina com qualquer ilusão.


Até quando vou ver os outros desperdiçando sentimentos, nessa eterna incapacidade de amar e ser amado?


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