1.6.12

É muito difícil falar o que se sente realmente. Separar todos os sentimentos, as lembranças e as falsas lembranças, o desejo da negação, o instinto do social. Às vezes num lampejo chega até mim a verdade sobre o que sinto e eu rapidamente penso em outra coisa. Tantas vezes eu romantizo para não encarar a superficialidade dos meus relacionamentos.Ou dramatizo para encobrir a minha superficialidade nos meus relacionamentos. A verdade é que estou acostumada com a minha vida do jeito que está, mas me sinto cobrada a prestar contas à sociedade, apresentar alguém, colocar uma aliança. Pro outro lado gostaria de ter uma parceria. Ninguém se encaixa no perfil. Enjoei de todos. Não tenho paciência para joguinhos. Estou egoísta ou sempre fui egoísta. Sempre banquei a ridícula, o tédio deixa as pessoas ridículas, todos me dão tédio. Jantar... não dá para pular essa parte e ir direto ao que interessa? Devia ficar distante, não fiquei. Devia ficar calada, não fiquei. Devia esquecer, não consigo. Preciso acabar com esse ciclo vicioso e talvez a solução não seja me fingir de morta, mas botar alguém pra correr de uma vez por todas. Para isso basta ser eu.

Há meses perdi o desejo pelas palavras, tem sido tantos os calaboca e os nãoseioquetedizer que me desiludi de tal forma que nem eu mesma quero sequer pensar palavras. Quisera pensar imagens, mas essas também me deixaram há algum tempo, tornando-se um difícil resgate. O que me vem são alguns movimentos, de tronco, de braços, de olhos, a queda ensaiada, o giro. A escrita é uma substituta.Não importa se está perdido dentro de mim.

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