29.4.12

Eu ainda te busco, quando não sei o que falar, eu me fantasio do sentimento que tive por ti, do que senti naquela noite, a surpresa, o desejo, a descoberta, o êxtase. Ainda te busco quando quero falar da minha dor, parece que preciso personificá-la, mesmo quando você não está. Você não está faz muito tempo, nem sei se um dia você esteve. Eu ouço aquele disco... me lembra estrada, me lembra frio, fogo e fumaça. Me lembra tanta coisa que me faz sentir viva. O problema está na escassez desses momentos, por isso um momento antigo permanece tão vivo. E você está aí, há alguns metros de distância, tão fácil de dizer um bom dia, uma boa noite, tão fácil de agarrar e eu não posso. Eu não posso e eu nunca mais vou por as mãos em você. Não que eu não deseje, é o que você já disse, tanta baboseira que machuca, que nunca mais vou por as mãos em você não importa o quanto elas estejam queimando. Nunca mais vou por a boca em você, não importa que você faça aquele olhar. Não quero por os olhos em você, você não merece. Não merece minhas palavras sinceras, então não me pergunte mais nada. A verdade é que não tem nada a ver com você, a dor hoje é outra... Eu vou lá e vou fazer o que sei melhor. Vou lá e vou sair viva, por que é nisso que eu sou mestre.

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