Após o acontecido, sentia as pernas como que anestesiadas, uma leveza na região do pescoço que chegava a doer, precisando se lembrar de que há uma cabeça, há um cérebro e há um protocolo a ser seguido. Após um pico de adrenalina era como se o pensamento se fechasse e o sentimento enrugasse. Seguia o impulso de fingir que não ligava, funcionava por alguns segundos, conseguia assim manter um pouco o eixo da coluna para depois desabar quando estivesse completamente só. A verdade é que ficava desmantelada, com vontade de se perder em uma catatonia e se entregar. Gostava de pensar em si como se fosse um gato, se fosse um animal seria um gato, responderia. E como um verdadeiro gato arrepiava pelos, mostrava as garras, atacava e se escondia, se pudesse seguir seus instintos sairia de cena tão rápido que ninguém perceberia. O problema é que ela é ela, o problema é que nunca escapamos, por que da vida que a gente conhece não se pode escapar ou se esconder, permanecemos da forma que podemos, da forma que aprendemos e ela, claramente, ainda não aprendeu direito essa parte.
0 ... O que vem depois, não se sabe.:
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