18.1.12

No dia em que lhe conheci soube que estaria perdida. Fiquei atraída pelo seu jeito imperfeito, dolorido, insinuando tristezas desde o primeiro momento. A sua mão na minha mão, a direção do carro, a aventura de desviar dos postes no caminho, a dúvida sobre o que haviam bebido os seus olhos, me fizeram continuar. Naquela época eu tinha a filosofia de vida que precisava, meio masoquista, mas necessária, de viver tudo até o fim, mesmo que o fim fosse o fundo de um poço sem mola.

(Hoje a minha filosofia não é destruir, mas preservar.)

Quando a dor no meu corpo passou e a dor do meu coração embriagou todo o resto, eu consegui desenrolar a língua e dizer o que sentia, mas já era tarde demais para mim, uma semana na vida de alguém que tem pressa é muito tempo. O tempo passou e eu consegui sarar a ferida que você provocou, mas sem saber eu ainda lhe procurava em outras pessoas, até que te procurei novamente em ti, com a pretensão de sentir uma última vez, só uma última vez o seu gosto azedo, para poder depois seguir em frente. Uma boba acreditando que tem controle sobre o impulso de xxxxx. Quem procura acha e eu lhe achei de novo, trouxe para bem perto, abri a porta da minha casa, abri meu coração, me fiz de amiga, de mulher madura, aconcheguei, juntei cacos, colei pedaços, comi farelos, brincando e colando o meu brinquedinho para ver se ele funcionava nas minhas mãos. Eu sempre vou falhar com você e você sempre vai falhar comigo, é a nossa sina. 

Agora tenho que assistir a você puxando o saco de uma babaquinha qualquer, balbuciando palavras sem alma, dando uma de carentona que não se manca, macaca de auditório, enquanto aqui tem uma Mulher com o coração e o corpo pulsando, que adorava chamar o seu nome. Deu vontade de chorar quando precisei daquilo que lhe emprestei meses atrás, por que quando eu preciso e não tem, é a seco que eu tenho que engolir. E foi assim mesmo que engoli também o choro.

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