4.11.11

Tenho que parar de falar sozinha ou, pelo menos, diminuir o tempo em que falo sozinha, minhas palavras me denunciam. É que eu tenho tanta indignação dentro de mim e me falta ouvinte interessado. Se eu tivesse um ouvinte provavelmente tentaria seduzi-lo fingindo que ainda há beleza por trás da minha feiúra, negando a mim mesma o que de fato há, por que eu adoro falar mal falando bem de mim. Voltando ao assunto, indignação, tem a falta de respeito repetidas vezes num só dia, todos os dias. Tem a falsidade, muita cobra solta por aí, cuidado. E haja auto controle, essa coisinha que me desafia, às vezes acho que vou morrer desse mal. Por mais que eu saiba que auto controle não é amarrar os braços e vedar a boca, ainda continuo fazendo isso, erroneamente me punindo. Tem que silenciar para não se entregar com uma simples opinião sobre comida, partido político ou preferência sexual. Tem que ser obrigada a engolir sem respirar. Tem que sorrir pela social, até dar caimbras nas maçãs do rosto e formar rugas nos cantos dos olhos. E aí vem o que mais detesto: tem que fingir que está tudo bem quando não está, dar a entender que me basto quando não é verdade, fingir que não dou muita importância a algo que não me sai da cabeça e que me incomoda até em sonho. Fingir que não entendo que por trás do que foi dito há outra intenção, por que outras intenções não são admitidas no universo das pessoas frias, que cercam sua presa até ela estar totalmente imobilizada. A palavra "intensidade" virou estampa de camiseta de babaca. O desejo de um sentimento verdadeiro virou futilidade em um mundo com tanta falsidade, onde falta o básico do respeito e onde nós temos que lutar para sobreviver. O sentimento está cada vez mais só.

Difícil sair do jogo.
Difícil não explodir qualquer dia desses.

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