18.10.11

Indigestão

Cuspi tudo, comecei a falar e não parei, sobre coisas que nunca havia comentando, detalhes tão íntimos, dos quais eu mesma duvido, sobre os quais eu mesma me questiono às vezes. Foi em mais uma dessas conversas no engarrafamento, entre uma sinaleira e outra, quando sentamos lado a lado, com nossos olhares descruzados, e é fácil sair contando tudo por que em seguida dou um beijo, desço do carro e caminho me distanciando. Não pensei nos encontros que viriam a seguir, não senti constrangimento, afinal de contas conquistei o direito de falar sobre mim livremente, e ser livre é, principalmente, poder ser quem se é livremente, falar o que se pensa sem se preocupar com o que os outros vão pensar. Fora que após esses últimos anos percebi que não sou tão estranha e tão errada quanto pensava, tenho muita coerência, não sou tão velha para recomeçar, não sou tão tola, também tenho meus interesses, meus egoísmos e altruísmos, também tenho meus limites. Que o importante é amar e seguir com a vida. Após falar e ouvir o eco das minhas palavras dentro da minha cabeça, entendi, tive um momento de iluminação e precisava dividir minha descoberta.

- É que você precisa estar sempre apaixonada e não há mal algum em ser assim.

Quem sabe se você se apegar bem forte à uma lembrança, guardar na sua cama o cadáver do amor, afasta de vez a dor e o sofrimento. Nessa eterna fuga, repete tudo de novo, e tentando afastar a dor e o sofrimento acaba os convidando mais uma vez. Sempre o mesmo choro, a mesma mágoa de criança, sempre a mesma água que cai e evapora. Quem fica preso ao passado, no presente carrega nada além de um imenso vazio.

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