27.9.11

Percorri quadras e quadras, dias e dias, sozinha. Saudade das bobagens que eu nunca vivi, que na minha imaginação preencheriam as lacunas que tornam a vida pesada, gestos de sentido único, próprio, individual. Minha mente está fazendo rodeios, eu sei, não quero dizer com todas as palavras. Eu não faço perguntas por medo das respostas, mas as respostas aparecem translúcidas cedo ou tarde. Nesse caso, tarde demais. Quero falar sobre essa ausência com forma, que é quase uma morte, sobre a levitação do meu corpo, quando minha alma se destaca por instantes e eu sinto a vida profundamente me invadindo (ou quase me deixando, por que a morte também é uma espécie de prazer). Sinto medo de morrer ou de voar. Há sensibilidade demais no meu corpo, as veias dos meus pulsos são como cordas de um piano que seguem sozinhas sem pianista... Eu assisto horrorizada. Vou dormir sob essa lua cheia que não se esvazia, acordo sob esse sol que não desiste de nascer. Quero ter o direito de sofrer pelo que nunca me pertenceu, chorar meus mortos.

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