7.7.11

Nem o meu mundo é tão terrível, nem o teu mundo é tão belo quanto eu imagino. Há um equilíbrio entre as coisas. Por pior que uma vida possa parecer, há momentos de genuína felicidade, e por melhor que uma vida possa parecer, há momentos de enorme tristeza. A felicidade e a tristeza parecem distantes, por serem opostas, mas caminham próximas, quase que se sobrepondo. A tristeza é cinza, maciça, rígida, pesada, como um bloco de cimento pesando sobre o peito e sobre os olhos. Mesmo assim uma pessoa muito triste, pode ver alegria em pequenos prazeres e gestos, como um dia de sol, uma flor, um copo d'água, uma mão que se estende nas sombras. A felicidade é frágil, é leve, é intensa e nos alimenta ainda por mais um tempo depois que passa, é luminosa, como um objeto correndo em velocidade. Não acredito na existência de pessoas muito felizes. É sempre a mesma felicidade e é sempre a mesma tristeza, assim como o céu acima das nossas cabeças, embora mude cor, é sempre o mesmo. Uma não existe sem a outra, não se reconhece uma sem conhecer a outra.

Um comentário:

Grazi disse...
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