25.5.11

Gosto das pessoas fortes,
que usam perfumes marcantes
e que me encaram não pedindo,
mas roubando.

Você vem, se aproxima e lança seu olhar incógnito em minha direção e, então, tudo muda. Gosto mais do olhar raso, quando o olho encontra o outro sem desvios, conversam, contam segredos, não gosto do olhar que eu não consigo decifrar, ele me afunda e me atira numa espécie de purgatório de dúvidas, por que me faz caminhar em círculos tentando decifrá-lo. Optei por me manter afastada, por que queria fazer durar o olhar raso, que acolhe e esquenta, queria parar antes do olhar incógnito, não queria gastar dias e noites imaginando o que você quis dizer com seu olhar. Será que você poderia esclarecer? Notei que ele foi lançado em direção a minha boca - talvez tenha desviado dos óculos escuros e foi parar um pouco mais embaixo - e que ali ficou por uns instantes, enquanto você franziu a testa numa interrogação. Fiquei pensando que interrogação haveria de ter a minha boca, que sequer falou, que talvez tenha apenas sorrido de leve e involuntariamente. Minha boca e meus olhos tem muitas interrogações, mas prefiro que não fiquem à vista, as interrogações da tua face podem ser outras, mas te digo que sim, sou humana, cheia de interrogações e exclamações, medos e dúvidas. Sim, por trás da lente meus olhos congelaram de espanto quando seus olhos incógnitos tentaram desnudar minha alma com seus pontos. Vamos retroceder ao momento em que seu olhar era só sorriso, desejo, convite. Conto um segredo: ele já havia me roubado.

3 comentários:

R. Borges disse...

Vc escreve bem demais.
É APAIXONANTE.
É um presente pra quem lê,parabéns.

A. disse...

obrigada!
:)

Grazi disse...

Parabéns :)
Queria escrever assim...
Beijos