22.5.11

Como suportar diariamente as minhas metamorfoses? Acordar sendo uma pessoa diferente da que era quando fui dormir. Imaginar minha imagem sem confirmar ser eu, aquela que costumava conhecer há tempos atrás. Ou nem pensava muito nisso. Como permanecer, quando já estou me desfazendo, como explicar para alguém que estou me perdendo, me transformando em algo que não sei ser agradável ou não, e que portanto não posso dar certezas. Queria ter certeza sobre cada poro, cada veia, cada músculo do meu corpo, sobre cada batida do meu coração, cada gota, mas a existência foge ao meu controle. Queria me pertencer, para assim quem sabe me entregar. Enquanto isso, poderia acordar estrangeira, caminhar por ruas e praças de uma cidade desconhecida, onde ninguém me conhece, onde tudo é possível por que não existe o passado. Passar por rostos desconhecidos que não encaram, não por desprezo, mas por respeito à individualidade, aos sentimentos, ao espaço e ao tempo de cada um... Onde se perguntariam no máximo de profundidade e ao mesmo tempo com singeleza: quem é esta mulher, de onde ela veio e por quê? O resto não importa.

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