1.4.11

Não sei se é por que estou vazia ou por que estou cheia. É quase incompreensível o que se passa aqui, no meu peito. Gosto quando ele acelera no prazer, não gosto quando acelera no susto. Gosto quando o calor nasce de dentro para fora, na combustão da minha energia acumulada, não gosto quando o calor é raiva. Tento lembrar o que desencadeia a série de pensamentos, não acho o ponto em que começa o incêncio. Eu e meus exageros, não tenho cura. Começo a repetir mentalmente as frases que todos me disseram, conto com a minha memória quase infalível, algumas frases se encaixam perfeitamente, então, tento transformá-las em verdade, mas no fundo me pergunto: qual é a minha? Que vida é essa em que se foge de quem se é para não morrer. Evitar  a resposta pode ser um atraso, e quando é sobre o impossível, evitar não parece o melhor a fazer? Cansei do que dizem, do que dizem que fazem, que dizem que sentem. Quando lanço meus olhos e meus ouvidos sobre eles, não enxergo e não ouço o sentir. O que eu quero é uma voz falando besteiras ao meu ouvido, ver a boca em movimento, em câmera lenta, e sentir vontade de beijar, quero a mão me segurando o braço, as mãos, a boca, a voz, a língua... Sentir da forma mais primitiva, sem rodeios, em silêncio. Quero que me deixem ficar em silêncio! Não me peçam para contar minha história! Cansei de buscar certezas, definições. Cansei de ser um porto sem barcos. Cansei do intangível, do amanhã. Cansei de toda essa besteirada fácil de achar por aí.

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