18.1.11

das minhas gavetas...

365 dias bem dormidos como pedra, com um mundo caindo em chuvaradas e trovões, com barulhos da rua, vizinhos e seu mal gosto musical, cachorros angustiados gritando sua prisão, seu instinto reprimido, confinados a quintais minúsculos. ontem, insônia forçada, nem mesmo virginia woolf socorreu, não conseguiu embalar meu sono, o corpo com calor e frio ao mesmo tempo, uma febre de mente funcionando como máquina, de costura talvez, barulhenta e compassada, de costuras e pontos antigos ainda sendo amarrados, funcionando... e não foi espantoso começar a contar as tragédias, com a verdade de quem escreve sua história numa versão sem cortes, com um drama de capa que não vende nas livrarias. a expressão que os ombros tomaram, as dores na coluna lombar, digo que um dia a dor vai descendo, um dia chegará aos pés e depois, feito mágica, desaparecerá. a vista já não é mais a mesma, embaralha, fico tonta, preciso ir ao oculista, eu acho. na boca a mesma tristeza, mas quantas pessoas tem os cantos da boca apontando para baixo até mesmo quando sorriem, os dentes apertados, segurando o peso de todo o corpo, o pânico do mundo acontecendo ao redor, a falta de controle sobre os olhares e sobre as mãos. ontem tentei me convencer de que ainda há esperança, torço para que tenha conseguido convencer pelo menos alguma parte de mim, de que a vida segue em frente e as coisas sempre podem acontecer. após me recriminar pela mesquinhez dos meus desejos, espiritualmente pouco evoluídos, não me permito sonhar com o que é demasiadamente mundano, após me perdoar de novo por uma ou outra bobagem que fiz e ainda não consegui superar e esquecer, só então adormeci.

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