29.12.10

fico desejando ser lagoa, de águas calmas e quentes, receptiva, carinhosa, abraçando quem eu mim vem mergulhar. até que ponto a lagoa me reflete, até que ponto não sou eu quem quer mergulhar nessas águas convidativas. mas lagoa não é rio, rio não é mar. eu tenho correntezas, águas mais rápidas e mais lentas, águas mais quentes e mais frias, tenho meus sentidos transformados pela força do vento. eu tenho ondas que vão se formando devagar, num vai-e-vem, de repente ficam enormes, enrolam meu corpo e me devolvem para além da rebentação. outras vezes sou quieta, imensa, distante, quando é impossível nadar nas minhas águas sem colete salva-vidas.

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