3.6.10

Existe mais de ti no tempo em que não te vejo. Os dias sem te ver correm como loucos, formam semanas, meses, anos, e eu deixo eles se empilhando em torres de poeira e ar, ar carregado dos meus sonhos, sonhos que são antigos, que tenho desde antes da tua existência na minha vida. Antes mesmo de saber teu rosto, teus olhos tristes, teu sorriso que nem sei se era mesmo um sorriso, nem sei bem o que era, mas lembro de cada curva com requintes de detalhes. Contigo redescobri que gosto de mãos, mãos ágeis. Ao menos, pareciam ágeis as tuas mãos. Tudo que parecia. Aparência. Complicado distinguir a aparência do que de fato é, tudo que parece deveria ser, o que parecia amor não vingou, assim como as tuas mãos erraram o toque.

Ando pensando sobre todas as coisas que eram pra ser e não foram. Quer saber, melhor assim, porque as coisas que eram pra ser e não foram nunca morrem dentro de nós. E eu preciso destes sonhos.

Desejo que sejas feliz.
Beijos.

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