6.6.10

Eu imito sabiá, não é algo fenomenal, é um arremedo de assovio, mas funciona, vou pra janela, começo, e eles vem perto conversar. Tem dias que ensaio outros sons, existe essa identificação com os passáros que não tem nada a ver com afinação, tem a ver com sintonia, até no jeito de olhar. Bandos de pássaros curiosos vem pousar na árvore em frente à minha janela, de beija-flor à sabiá. O beija-flor pousou no galho mais perto com seu bico comprido e vermelho, deu rasantes no meu rosto, fiquei completamente imóvel, em silêncio para não espantar a beleza da vida. Um casal de pássaros pretos que eu nunca tinha visto também apareceu, fazia frio e o vento levantava delicadamente as penas, tão leve, tão perfeito. Parece que o céu se convenceu de que já é fim de Outono, hora de começar a mudar de estação. Então, eles foram embora, o beija-flor desceu em um voo e encontrou outro exatamente igual, eu agradeci me sentindo abençoada, por simplesmente conseguir enxergar e sentir, por toda essa conexão. Assim também é o amor, por vezes, pousa rápido ao nosso lado e não é preciso tocar para sentir, pelo contrário, é preciso estar quieta. Depois o amor se vai, porque é livre e é assim que tem que ser.

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