2.4.10

Hoje me vi nua e não foi simples como tirar a roupa, precisei de todas as dores de ontem, dos pesadelos, dos sonhos em que corria sem saber atrás de que, sem saber para onde, sem sapatos, dos questionamentos e das torturas sobre qual seria a atitude correta, sobre como eu poderia sair de uma situação menos magoada, menos pesada, sem a falta me apertando o peito, sem a sensação de humilhação por ter sido eu mesma. Pensar nela a quilômetros de distância dá certo conforto ao meu coração, muito mais difícil é saber que ela está por perto e não poder fazer nenhum movimento brusco, como aquele de bater à porta no meio da noite. Algum tempo já se passou, mas quase sempre me pergunto por onde ela anda, se ela está dentro de alguns daqueles carros que passam apressados, se de alguma janela ela vê a minha janela e, então, lembra de mim.

Um comentário:

Anônimo disse...

Se este texto fosse pra mim eu diria: Sim, também penso em ti.