8.2.10

É triste quando não me pareço comigo, sei das mudanças que a vida obriga, vai lapidando em nós, por dentro e por fora, e até acho chato quem não muda, sigo a máxima "quem não muda não cresce", sei que não tenho o compromisso que me imponho, e que tantas vezes me tortura, de não me distanciar tanto do que um dia fui, ficar lá engessada, sei que não preciso corresponder a idéias que não me pertencem, mas me dói ter que entrar em choque com a lembrança de quem um dia eu fui e não sou mais. Mesmo que ainda seja eu, que contenha sinais nos mesmos lugares, sei que aquela que fui não mais posso ser, mesmo que reconstrua o texto, mesmo que rebobine o tempo, serei sempre uma nova versão minha, nunca a mesma de minutos atrás, o resto é memória. Eu sou a consequência do que me trouxe viva até esse ponto da estrada da vida e, por hoje, não posso sequer querer ser mais. Quem sabe amanhã! Talvez esteja mesmo errada, talvez seja soberbo da minha parte, acabar expressando antes o que os outros ainda não pensaram, não esperar a idéia se concretizar na boca do outro, mas é que quando eu percebo a realidade tudo fica tão vazio e sem sentido que não posso esperar mais um dia. E se for um tipo de dom? Ah, esse estreito equilíbrio, que separa os sonhos, as ilusões, as fantasias do que é concreto... Ainda vou ralar muito meus joelhos nesse cimento, porque cair é necessário... O tombo deve se chamar Vida.

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