30.12.09

Saudade é palavra gasta, corroída pelo tempo. Olhar parado no horizonte, perdido nesse véu invisível que cega, assim como essa confusão de imagens embaralhadas, de frases repetidas. Quisera esse tecido que te cobre os olhos não fosse apenas a ausência na presença, quisera não fosse só a afirmação e a reafirmação do que é incerto, do que é inseguro.

Sai o dia, entra a noite. Vão-se os ruídos, chega o silêncio... Ou se vai o silêncio e chegam os ruídos de dentro, e aquela gota solitária encontra a telha insistentemente sem saber de mim, vozes ao longe em diálogos indecifráveis, um inseto bate agitado na lâmpada. Ele é atraído pela luz ou pelo calor?

Hoje eu enganei o tempo, sobrevoei todos os ruídos. Eu não fui o doce, não fui o sal, não fui limão, mel ou jasmim, e por mais que eu tenha sido tudo isso, deslizei nos segundos e enganei o tempo. Não lutei contra os sentimentos, porque hoje eu não fui. Passei em branco, fui desimportante e não me importei. Minha mente é uma página onde eu pouco escrevo, permito rabiscos. Fico pensando em tudo que dizem, os outros, transformo algumas frases em realidade e jogo outras por terra. Mas hoje não. Hoje eu não risquei, não dancei, não chorei, não abandonei. Hoje eu fui somente esse dia cinza, que anuncia a chuva. Amanhã vai chover.

Um comentário:

Anônimo disse...

lindo.