14.12.09

Às vezes é preciso bagunçar um pouco a vida pra dar um próximo passo. Minhas malas vivem prontas, estou sempre de partida sem tirar os pés do chão, ainda não encontrei o meu lugar. As malas mesmo, aquelas com rodinhas, nunca desarrumei, ficam do lado da porta me encarando. Eu me mudo (me transformo) e não me mudo, até ficar muda.

Eu sofro deste esgotamento de espaço, onde falta o ar para nascerem sentimentos. Respiro, expiro e não me esvazio do tanto que já vivi. Carrego este meu mundo junto comigo feito caracol andando vagarosamente, se arrastando nas calçadas, sempre à beira dos pés alheios, não consigo chegar. Eu acredito desacreditanto (ergo uma das sobrancelhas) nessas palavras de amor, guardo aprendizados do que cada forma de expressar pode representar, como quem tenta classificar a profundidade antes de começar a nadar. Mas no meu íntimo, segredo, que amor é um só e está guardado com delicadeza.

Eu queria ter fé na humanidade, às vezes quase tenho.

Fico impaciente. Perco o sono. Desprezo. Meu coração segue preso na ilusão ou no que já sofreu. Na medida que me dou, ele grita por liberdade. Ele não suporta mais o meu peso. O que posso fazer se ele manda em mim?

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