9.11.09

Todo dia no mesmo horário sentia vontade incontrolável de escrever, só não sabia como, não sabia bem o quê. Há tantas possibilidades de começo, incontáveis assuntos na ponta da língua, prontos para sair como grito ou sussurro, sorriso ou soluço. Há tantas formas de expressar a mesma coisa, pensou. Era tanto de tanto, que pesava, a escrita. Pesavam, as palavras nas mãos, o passado nas costas, a promessa do futuro no branco dos olhos. Havia tentado com grande afinco ficar calada, e ficar calada é conquista extremamente difícil para romper com o silêncio por qualquer amontoado de linhas. Não queria escrever desastres. Nem queria que sobressaísse a dor, queria escrever limpa, mas ainda doía. Talvez a pitada de dor que faz o texto pulsar? Pensamento que alivia. Respirou fundo, um suspiro que se ouviu por toda casa, sentiu o estômago vazio, a saliva ácida de tanto tempo diante daquela folha. Deixa estar, falou em alto e bom som, aqui eu recomeço, retirando a franja dos olhos.

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