16.11.09


Ouço o canto dos pássaros, sons da minha casa. Não é bonito que os pássaros acordem para ver o sol e durmam quando ele cai? Como se sua existência fosse guiada por essa luz maior. A essência da vida a própria vida, a luz do sol, força ancestral. Comecei a suspirar alto, de uns tempos para cá, e passei a tentar entender os suspiros que também sempre ouvi pela casa. Não sei ao certo o que me leva a suspirar, não consigo parar minha mente no exato momento para descobrir qual pensamento engatilha aquela respiração funda, seguida de uma expiração sonora. Não é difícil descobrir, as dores são muitas, mas poucas são as razões. Ausência, distância, solidão, medo, vontade de fugir, esconder-se. Eu também sou meio pássaro, difícil de cativar, aparência frágil, força que vem da superioridade de poder voar. Eu também olho para o céu e me sinto um pássaro engaiolado, pensando em como e se algum dia voltarei a voar. Talvez por isso, meus pássaros e eu nos entendemos tão bem, sofremos da mesma incapacidade e do mesmo sonho.

Há em mim esse olhar que fisga grãos de areia, recolhe-os e dedica horas em decifrar de que lugar vieram e qual vento os trouxe. A necessidade de entender o universo que nos cerca para, quem sabe assim, encontrar pelo menos uma resposta sobre o próprio coração.

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