24.11.09


Dói essa ausência de espanto. Eu já não sei se sinto, eu constato. Tem sido assim. No fundo eu fico torcendo para que algo me abale, me mobilize, me faça querer mudar de vez, me faça sair correndo. Não acontece. O que há é essa sucessão de desencontros, quase sempre conduzida por mim. Eu prevejo o erro, sei onde vai dar. Tão monótono que nem me fere, e esta ausência de dor me reduz.

É nessas horas que eu percebo o quanto me falta, o quanto eu ainda estou longe de mim.

Que a minha leveza não venha da ausência de cargas, porque eu sou forte e posso suportar. Que ela venha, sim, da consciência do peso e do desgaste, da experiência dos ombros calejados.

Que eu não busque ouvir os versos que eu escrevo na boca de outros.


4 comentários:

dri disse...

Nem imaginas o quanto me faz bem ler o que escreves... me faz cair na real.

A. disse...

fico bem feliz por isso.
beijo

dri disse...

Ah, só para você não pensar que estou me escondendo, abandonei aquele blog e me encontro agora aqui: http://escasso.wordpress.com/

A. disse...

que bom que tu avisou... já tinha clicado e visto que o perfil não está mais disponível... estava esperando algum sinal.

já adicionei à lista de blogs.
:)