27.10.09

Que seja breve, mas que seja, então.
Prefiro o beijo, o mergulho,
Ao encantamento da imaginação.

Quando é breve marca de uma forma diferente.
Quando termina antes de começar fica com jeito de sonho, encantado, intocado. Que não seja só imaginário, que seja real, com toque, calor, do contrário é lembrança inventada, saudade vazia, é dúvida e, sinto dizer, é engano. Um descontentamento pela ingnorância dos sentidos, falta o perfume, a temperatura do corpo, o hálito, a voz, o gosto - para compor a imagem. Falta o principal, a cor. Habita uma sensação de que muito se perde, sem saber ao certo exatamente o tanto ou o pouco que se perdeu. Peça sem par. Então, escreve-se mais, vai-se mais ao cinema, ouve-se mais música, à procura de substituições, que até podem funcionar por algum tempo. Busca-se afeto em outros, outras. Livro não lido na estante. E, através dos meses, anos, vai se diluindo pelos ares até virar poeira (lembrança antiga do que talvez, quem sabe, poderia ter sido e não foi), fica pequeno antes de se transformar e começar tudo de novo, porque sim - ainda bem - nós somos capazes.

Há agora muito desejo, vontade enorme de ti, encantamento… e tu nem sabes.

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