5.7.09

Ele me perguntava sobre como tudo começou e queria respostas rápidas e curtas. Eu, tentando resumir, ocultava muita informação. Aliás, eu faço muito isso, porque tenho preguiça de explicar as coisas, sempre acho que ninguém vai entender. Aí ele comentou pela milésima vez: tá tão difícil conhecer alguém legal. E eu dizia: ah, é mesmo. Sempre. Mas, sabe, por dentro eu sempre fazia o raciocínio oposto. Pensava que quem já encontrou "alguém legal" deveria pesar muito a sua decisão de deixar "alguém legal" ir embora. Respirava aliviada. Ele não era meu amigo, ele não era nada meu, não era nada de ninguém, desconfio que não era sequer "alguém legal". Me mostrou a aliança que usava há anos, e sobre a estranhíssima coincidência de que seu atual caso usava uma exatamente igual. Não sei se coincidências unem pessoas, separar eu sei que não separam. Só sei que nenhuma coincidência me prendia aquele lugar. Ou até que eu não sentia que havia um lugar para mim lá. Que talvez aquela mensagem de que está tão difícil conhecer alguém legal ficasse ecoando alto no vazio da gente, naquele imenso abismo que existia entre nós duas. Que o fato de estar tão difícil vale para todo mundo, porque conhecer alguém quase não existe mais, as pessoas são pela metade. E que... se conhecer alguém é difícil, descartar alguém, legal ou não, é fácil. Infelizmente (ou felizmente?) não para mim.

Um comentário:

fonte192 disse...

Legal oque escreves, achei muito intenso e verdadeiro. Abraços!