1.4.09

Acendo a luz da cozinha pra iluminar minha escrita. Penso: deve haver uma grande razão. Teria que ser muito convincente - o porquê - todos esperam de olhos arregalados por essa resposta, tanto que eu busco ela fundo em mim com medo de a estar inventando. Não quero ilusão, não quero uma razão inventada, eu mais do que ninguém quero ser livre. Sonho com portas. Atrás delas encontro meu medo - ele é um homem que sempre tenta me enganar. Com a voz enrolada tenta me convencer que não é o que parece. Eu não abro. Eu não caio. Eu chaveio mil vezes se for necessário, com a mão direita e se ela ficar calejada com a esquerda. Existe uma escuridão dentro de cada um de nós, que pode ser bem investigada, mas que às vezes se descobre que é melhor deixar calada no fundo do eu. O medo, ele precisa me deixar viver, precisa esquecer o número do meu apartamento, precisa parar de me invadir em sonho, precisa parar de me atravancar a vida. O medo. Me perguntaram: no que tu pensa quando começa a afundar? eu respondi como sempre: preciso pensar sobre isso quando estiver sozinha, quando estiver em silêncio. Mas não é nessas horas que a pergunta retorna, ela me acorda quando estou afundando de novo. É preciso pensar. Chamar a razão. Algo que pare o corpo. Algo que mude. Liberte. A razão.

O que vai acontecer se eu encontrar?
O que vai acontecer se eu parar?

Um comentário:

nada disse...

O simples ato de fazer pode ser mais importante do que as respostas que tu vais encontrar. Saudade!