13.2.09

Há pouco eu aprendi a engolir a dor e esperar os segundos posteriores, mais ou menos como contar até dez, mas é bem mais que dez. São horas, dias, meses, anos, décadas. Sim, porque eu já tenho idade pra falar em décadas. Por muito tempo eu sofri achando que era o fim do mundo, que não teria por que amanhecer mais um dia, que a dor seria eterna. Mas não é. A dor vai e volta, e nos intervalos das lágrimas eu sorrio esperançosamente. Amanheço mais um dia e ele é de outra cor, simples assim, as coisas mudam. As coisas mudam a todo instante, e também mudam em ciclos maiores, que muitas vezes nos passam imperceptíveis. Eu tenho um dom: eu sei como a vida é mutável. Eu sei que amanhã tudo pode estar diferente, e que um dia irremediavelmente vai estar.

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