8.9.08

Enrolou-se na toalha, começou a pensar enquanto a água ainda escorria sobre o motivo de realizar concretamente a sua dor. Ela que sempre conseguiu expressar tão bem através da arte, fazia do próprio corpo a sua obra incompreendida. Sabia que era inútil, que não iria jamais a público, mas a contradição não a fazia parar. Já seca em contato com o frio, admitia a si mesma a razão pobre de tudo aquilo e sentia vergonha por ser reduzida à carne, à sua condição humana e feminina. Achava grande ser desapegada, fria e distante, mas sabia a sordidez que acalmaria a sua dor. A prova viria mais tarde?, não existe amor incondicional.

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