12.8.08

Depois da vida


Depois da vida (Wandafuru Raifu)

O filme mais poético que eu assisti nos últimos tempos. Triste sim, porque fala da morte, ou melhor, da vida através dos olhos de quem morreu, tem uma atmosfera nostálgica e isso emociona bastante. Poético porque as personagens mortas são repletas de sentimentos e calor. Os orientais sabem mesmo falar de vida e morte, e abordar isso de maneira bela e sábia.

No filme, as pessoas estão em algum lugar entre o céu e a Terra para escolher uma, apenas uma, lembrança de suas vidas, para que seja realizado um filme, que será a única memória que poderão levar pra outra dimensão. Pensar na vida assim, procurando esse momento especial, gera muitos questionamentos, principalmente sobre o seu real significado. Acho que o filme trata disso indiretamente. Levei semanas pra terminar de assistir e pensei muito sobre o meu momento. A tendência é buscar algo feliz, grandioso, e quando a gente procura por isso acaba não achando algo que valha realmente a pena, pensando que estamos mortos. O que são as grandes coisas depois da morte? Sobra pouco o que lembrar ou querer lembrar. No filme, há quem escolha uma primeira memória possível, o colo da mãe, um momento com alguém que amou, algum momento marcante da infância (a infância é cheia de momentos marcantes mesmo), ou, simplesmente, a sensação de flores caindo no outono, a sensação de estar voando, de estar viajando, indo ao encontro de algo ou alguém. Breves momentos, delicadeza, sentimentos verdadeiros, suspiros. Eu também escolheria algo assim, tendo vivido tanto e tão pouco. Deixaria meu passado pra trás. Um instante como esse, bem recente, um fim de tarde, um olhar, a sutileza, quando tudo era possível, um sentimento puro num mundo em que isso é tão raro de encontrar (e manter). Um beijo quente e esse sentimento transbordando do peito, o que eu levaria comigo.

A lua é fascinante, não? Sua forma nunca muda... Contudo parece diferente, dependendo do ângulo da luz.

Um comentário:

Maitê disse...

Pois é, outra coisa que é bem caprichada no cinema oriental é a representação dos sonhos.
É de uma beleza mágica.

Sbs