30.1.12

Ela enfim descobriu que o problema não é com o lugar, com a cidade, com a posição da mesa, com a calçada, vizinhos, colegas ou amantes. O problema é com ela, o problema é de dentro. E não importa onde esteja ou com quem esteja, o problema sempre acompanhará, por que ela não pode ser outra senão ela mesma. Ser ela mesma é fatal.

Após o acontecido, sentia as pernas como que anestesiadas, uma leveza na região do pescoço que chegava a doer, precisando se lembrar de que há uma cabeça, há um cérebro e há um protocolo a ser seguido. Após um pico de adrenalina era como se o pensamento se fechasse e o sentimento enrugasse. Seguia o impulso de fingir que não ligava, funcionava por alguns segundos, conseguia assim manter um pouco o eixo da coluna para depois desabar quando estivesse completamente só. A verdade é que ficava desmantelada, com vontade de se perder em uma catatonia e se entregar. Gostava de pensar em si como se fosse um gato, se fosse um animal seria um gato, responderia. E como um verdadeiro gato arrepiava pelos, mostrava as garras, atacava e se escondia, se pudesse seguir seus instintos sairia de cena tão rápido que ninguém perceberia. O problema é que ela é ela, o problema é que nunca escapamos, por que da vida que a gente conhece não se pode escapar ou se esconder, permanecemos da forma que podemos, da forma que aprendemos e ela, claramente, ainda não aprendeu direito essa parte.

23.1.12

18.1.12

Drive
No dia em que lhe conheci soube que estaria perdida. Fiquei atraída pelo seu jeito imperfeito, dolorido, insinuando tristezas desde o primeiro momento. A sua mão na minha mão, a direção do carro, a aventura de desviar dos postes no caminho, a dúvida sobre o que haviam bebido os seus olhos, me fizeram continuar. Naquela época eu tinha a filosofia de vida que precisava, meio masoquista, mas necessária, de viver tudo até o fim, mesmo que o fim fosse o fundo de um poço sem mola.

(Hoje a minha filosofia não é destruir, mas preservar.)

Quando a dor no meu corpo passou e a dor do meu coração embriagou todo o resto, eu consegui desenrolar a língua e dizer o que sentia, mas já era tarde demais para mim, uma semana na vida de alguém que tem pressa é muito tempo. O tempo passou e eu consegui sarar a ferida que você provocou, mas sem saber eu ainda lhe procurava em outras pessoas, até que te procurei novamente em ti, com a pretensão de sentir uma última vez, só uma última vez o seu gosto azedo, para poder depois seguir em frente. Uma boba acreditando que tem controle sobre o impulso de xxxxx. Quem procura acha e eu lhe achei de novo, trouxe para bem perto, abri a porta da minha casa, abri meu coração, me fiz de amiga, de mulher madura, aconcheguei, juntei cacos, colei pedaços, comi farelos, brincando e colando o meu brinquedinho para ver se ele funcionava nas minhas mãos. Eu sempre vou falhar com você e você sempre vai falhar comigo, é a nossa sina. 

Agora tenho que assistir a você puxando o saco de uma babaquinha qualquer, balbuciando palavras sem alma, dando uma de carentona que não se manca, macaca de auditório, enquanto aqui tem uma Mulher com o coração e o corpo pulsando, que adorava chamar o seu nome. Deu vontade de chorar quando precisei daquilo que lhe emprestei meses atrás, por que quando eu preciso e não tem, é a seco que eu tenho que engolir. E foi assim mesmo que engoli também o choro.

22.12.11

No ano que passou eu aprendi que a vida nos traz exatamente o que pedimos
e que geralmente só entendemos o nosso pedido quando vemos o que a vida nos trouxe.
No ano que passou eu aprendi a resolver os problemas sozinha,
mas que é ótimo ter alguém para ajudar a resolvê-los ou apenas segurar a nossa mão.
Aprendi que é gostoso presentear quem nos cerca, quem nos gosta, quem nos serve,
que é muito bom proporcionar alegrias aos outros, mesmo que seja só por um momento.
Aprendi que não há como evitar atritos, que é preciso ter voz ativa,
que o lado mais forte é que quebra o gelo e que a verdadeira amizade supera.
Que sabedoria é leveza, que ser flexível é uma grande qualidade.
No ano que passou eu aprendi que às vezes é necessário calar,
recuar estrategicamente, para depois dar xeque-mate.
No ano que passou eu aprendi que quem quer ficar fica e quem quer ir embora vai,
que não adianta tentar evitar, quando alguém mostra nas atitudes que não tem vontade.
Aprendi que não há como salvar alguém do seu destino, aliás, ninguém salva ninguém,
que o máximo que podemos fazer é estar próximos de quem a gente ama.
Que meu santo é forte e que preciso aprender a confiar na minha intuição.
Aprendi que é muito importante defender minhas idéias, mesmo que na contramão,
por que eu não sou de multidões, eu sou de poucos e raros.
Aprendi que para fazer parte de um grupo é preciso que haja liberdade,
que apenas se esconder atrás das outras pessoas é falta de personalidade.
Aprendi que é preciso cuidar da alegria, como se ela fosse uma flor delicada,
e cuidar da tristeza, para que ela se cure e se transforme em força.
Aprendi que em todas as vezes que tentei e não deu certo,
exercitei a minha enorme capacidade de amar.
Para o próximo ano desejo deixar toda mágoa para trás.
Desejo paz para os nossos corações, alegrias para as nossas almas
e muitos outros aprendizados.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

8.12.11

Circumstance
Fui dar uma volta na quadra e voltei apaixonada. Voltei rindo da minha cara, por outro lado é bom ser assim. Deitei na minha cama e viajei, casei com ela, ela me ajudou a escolher um novo apartamento, fizemos planos, compramos mais um cão, ela era carinhosa e eu apaixonada, ela cantava para mim, eu tinha paz para escrever meu livro, depois acabamos nos separando, brigamos para dividir os nossos bens. Tínhamos diálogos que só existem em livros e filmes, aqueles que nos deixam suspirando e que nunca acontecem na "vida real". Depois, pensei bem, percebi que ela não é nada disso e que o casamento não é para mim, desapaixonei. Tive uma conversa e alguém me disse justamente isto: que eu penso demais, que eu imagino demais. E eu retruquei: que mal tem em imaginar demais? Pensar demais, então, nem se fala, sempre achei ridículo dizer que alguém "pensa demais". Eu sou assim e não me sinto errada. Pode ser que o que eu imagino seja verdade, pode ser que seja totalmente o oposto, mas e daí? Não importa! Não existe um mundo só do nariz para dentro, não existe só o lado negativo de ser uma pessoa com imaginação... Acho que a minha imaginação é o que ainda me leva longe... Às vezes penso, inclusive, que ela é tudo que me pertence.

25.11.11

Você não sabe como é difícil engolir essa situação, faz uma semana e meu estômago ainda não aceitou muito bem. Nunca entendi como é que pode você não gostar de mim, ou como é que pode eu gostar muito de alguém e não ser correspondida. Como é que pode, se a minha carne com a sua carne combinam, se as nossas mentes conversam, o que é que há de errado que lhe faz não gostar de mim da forma como eu gosto de você. Qualquer desculpa furada não vale, do tipo "eu não estou pronta para um relacionamento sério agora", "você é especial e eu não quero lhe magoar de novo", "você é muito para mim" ou "quero a sua amizade, por que não suportaria a idéia de perder você uma segunda vez". Uma amiga minha me disse uma vez, algo que não esqueci... Que quando alguém gosta de verdade fica. Eu acredito nisso porque quando eu gosto não consigo suportar a idéia de perder, ficar longe do calor da outra pessoa me deixa doente, pensar que nunca mais vou sentir o cheiro acaba comigo. E olha que eu sou bem covarde com essas coisas de amor. Por isso tudo, é muito difícil aceitar que você não vai nem sequer tentar reverter a situação. Algo em mim diz que não deve estar sendo fácil para você também, embora um diabinho pousado no meu ombro esquerdo me diga que eu estou fantasiando e tentando me enganar, por que eu acho que você se acustumou comigo todos os dias na sua vida. Mas se você só precisa de alguém para concordar com suas teorias idiotas sobre o amor... aí é fácil encontrar alguém para por no meu lugar. As suas teorias idiotas sobre o amor só servem nesse momento, comigo do seu lado dando uma de salvadora, curando suas dores, mas assim que você encontrar alguém que você respeite, provavelmente alguém nos seus moldes, todas essas teorias idiotas e tristes vão dar lugar a mais um relacionamento idiota e triste. E eu, bom, eu fiz bem em cair fora... Por que eu não sirvo para você e nem você para mim, mas que é difícil de digerir a sua indiferença, ah é.

19.11.11

The Roman Spring of Mrs. Stone

17.11.11

Preciso de muita coragem para arrancar alguém da minha vida dessa maneira. Preciso também que ela me deixe ir. Não sei qual é a verdade sobre os meus sentimentos, mas saber ou não a verdade sobre o que eu sinto já não importa, pode até ser que eu queira saber e desenrole essa confusão, pode ser que eu simplesmente me esforce para esquecer (e é o que eu devia fazer, por que não consigo pensar sobre o que eu sinto sem passar pelo que o outro sente). Definindo brevemente o que eu sinto: gana. Você já sentiu isso? Vontade de devorar a outra pessoa em todos os sentidos? É difícil quando a outra pessoa não sente o mesmo. Às vezes, eu acho que é amor, gostar tanto de alguém por tanto tempo, conhecendo os defeitos, aceitando o que a outra pessoa pode dar (ou o que não vem em troca). Outras vezes, não, eu não acho que isso seja amor, talvez seja um tipo de amor condicionado, acostumado, doente, talvez seja a última corda no último penhasco na última chance de me agarrar e não cair no grande vazio. Até hoje, quando me deparei com uma situação assim, na primeira adversidade, eu desisti, matei o objeto do meu quem sabe amor, apagando da minha vida qualquer resquício e lidando com o luto sozinha e em silêncio. Ando ensaiando há algum tempo expressar a minha insatisfação, mas ainda com amadorismo, ocultando partes e sabotando o resultado da minha ação. Dessa vez eu expliquei (desenhei) com todas as letras, mesmo sentindo que não seria atendida. (A verdade é que eu quis nos dar uma chance...). Não entendo a razão, ao menos ainda não formulei bem algo que me convença do porquê as pessoas se sentem tão seguras de que eu não vou abandoná-las. Pode ser que eu esteja fugindo de uma resposta óbvia... Pode ser que eu não acredite no meu valor... Por isso, melhor calar. Como qualquer pessoa, eu canso. E agora revivo o velho sentimento, que eu me esforço tanto para evitar, mas que sempre me encontra, que eu conheço como a palma da minha mão, que se eu personificasse seria a minha própria imagem de tanto que já o incorporei... Que me aquece e gela o peito, me engasga, corta, envenena. Perder alguém que nunca me pertenceu é exatamente igual a perder alguém que eu amei.

Ainda preciso ser forte para não voltar atrás mais uma vez.