6.8.18

Princess Cyd

13.3.17

- Feche os olhos, imagine uma luz nesse ambiente escuro diante dos seus olhos. Essa luz representa a sua chama interior.

Era uma coreto no alto da montanha, enfeitado, e uma vela de chama vibrante que eu podia escolher a cor. 

Agora, acho que me aproximo mais da minha essência e da razão disso tudo, sem enfeites, desci da montanha: escorre uma tinta dourada na completa escuridão.

18.1.17

The OA

29.3.16

Queria estar segura, queria ter certezas, queria poder falar com voz firme que tudo vai ficar bem, mas não sei. Sempre quis ter alguém que me dissesse que tudo vai ficar bem, mesmo que fosse mentira. Olho para o lado e meu cachorro me encara com a sua sabedoria canina. Uma mulher tem uma força gigantesca dentro de si e, talvez, por isso, a necessidade de torná-la vulnerável, agarrá-la pelo coração, terminar de esmagá-lo. Acho que já li algo assim num livro da Virginia Woolf, ela com certeza já deve ter dito isso em outras palavras, em todas as palavras e imagens que os seus livros podem criar na nossa imaginação, que uma mulher precisa viver para si mesma. Alimentar aquela luz por dentro. O que eu digo é pouco, é trêmulo, outras já disseram, é quase um dizer desdizendo, mas aceite como uma flor.

24.3.16

O destino tem me pregado peças, ganho várias chances, como num videogame, morro e ressurjo viva. Quando não há esperança, nasço das cinzas: resta uma fagulha que reascende. Sou aquela vela no bolo de aniversário, que ninguém consegue apagar.

20.3.16

Se pudesse dar um conselho, diria: aproveite o momento. A vida é feita desses momentos e nada mais. Eu posso mudar de ideia rápido demais, tomada por medo ou por uma violenta ansiedade. Estou sempre caminhando na corda bamba, vivendo por um fio. Sinto que vou escorregar a qualquer momento nessa espera que mais parece uma eternidade. Estou criando fantasias demais na minha cabeça e elas estão me inebriando, começo a ver tudo deformado. O fio está começando a sangrar meu pés, não sei o quanto mais consigo ficar em cima. Você me amará se eu cair?

18.3.16

O sentimento de uma ideia em estado bruto me absorveu, teceu casulos de borboletas, de asas de múltiplas cores, na minha alma. Meu coração tem pulsado em outro tom, uma nova melodia. Eu me permito amar esse momento que antecede o mundo concreto, onde tudo pode acontecer, em que não há certezas, nem há chão embaixo dos pés. Não tenho mais medo do que não conheço, tenho encontrado na minha essência uma curiosidade apaixonada.

15.3.16

Tenho buscado me apaixonar pelo que é humano, pelo que as mãos humanas tocam e deixam marcas, pelo que não sai de uma máquina e de um molde. É um processo difícil reconhecer o esforço, o sutil, o invisível aos olhos, o processo de criação, a arte de modelar o barro e de dentro dele, de dentro de mim, criar algo belo. Imperfeitamente belo. Aprender a amar o erro, levá-lo pra casa e ficar admirando. O humano e seu toque, seus cheiros, seus gostos, seu hálito, sua barriga, suas vísceras, sua intensidade, sua insensatez e a linha tênue que nos separa da loucura todos os dias. E o que é o louco senão alguém que se recusa a viver dentro dos moldes, com bula, rótulo, manual de instruções? O que é o louco senão alguém que não foi modelado, esculpido, entendido, amado? 
Nesse processo humano e louco tenho tentado aprender a me amar para não enlouquecer.
Eu também sou um erro, imperfeitamente belo.

1.3.16

Após horas me odiando e me sentindo a pior das criaturas existentes, pensando que não há solução que me encaixe no mundo, percebi que não preciso de licença para estar aqui. Não devo a minha vida a alguém e ela não tem menos valor que qualquer outra. Não preciso me identificar com os seres humanos, não preciso olhar no espelho um outro ser igual a mim. Posso me identificar até mesmo com um grão de areia, que está lá embaixo d'água, se agitando e se revirando, se dissolvendo e se agrupando, indo e voltando, no mesmo balanço que nunca é igual, no fim tudo é pó de estrela. Antes pensava na matéria como algo que está sempre morrendo, em decomposição, e me incomodava reduzir a existência, a vida e a morte, a tão pouco. Até mesmo a necessidade de pensar em outra vida após esta, ou a dor que causava a dúvida sobre deus, se desfizeram. Tenho certeza que há outra vida após esta porque tudo é pó de estrela, e permanecemos aqui, adubando a terra, virando e desvirando grão de areia, grão de mar, estrela do mar. Da terra brotam sementes, raízes procuram o fundo, minhocas escalam umas as outras, o cheiro e a cor são ilusão, a morte também.

18.11.15

Sonhei com você e não queria acordar, mas no fundo eu sabia que era sonho, sempre sei que é sonho quando você aparece, então eu me perdi muitas vezes de você e era difícil te alcançar de novo. Ontem, antes de dormir, peguei a sua foto, concentrei meu olhar nos seus olhos, e sonhei colorido com as suas cores. Acordei com a Ella cantando freneticamente It don't mean a thingif it ain't got that swing, levantei com preguiça, me arrumei, dei um beijo na cusca e saí pela rua ainda sonhando, que te encontrava, que não te deixava escapar de novo (montando diálogos na minha cabeça), que casava com você e te dizia tudo, o quanto eu te amo incondicionalmente e inexplicavelmente. Só sei amar assim e talvez por essa razão nunca vou ter coragem de te dizer.